Preso, com risco de morte súbita reconhecido em laudo médico, Jair Bolsonaro teve a cela visitada pela Polícia Federal para responder se teria cometido crime ao criticar Lula em uma postagem nas redes sociais.
O ex-presidente prestou depoimento nesta semana na Papudinha. O inquérito trata de uma publicação feita em março de 2025, na qual Bolsonaro chamou Lula de “cachaça” e afirmou que “só um imbecil ou canalha” acreditaria na versão de um suposto plano de assassinato contra o petista. A PF tenta enquadrar o episódio como injúria — delito de menor potencial ofensivo, com pena prevista de um a seis meses de detenção e multa.
No depoimento, Bolsonaro foi direto. Disse que a mensagem se deu em contexto político, sem intenção de atingir a honra pessoal de Lula, e lembrou que o único atentado real ocorrido na história recente foi contra ele próprio, em 2018, quando foi esfaqueado por um ex-militante do PSOL, descrito por Bolsonaro como “braço político de primeira hora” do PT.
Enquanto Lula governa sem restrições e dispara ataques verbais contra adversários, Bolsonaro enfrenta investigação criminal por uma postagem. O contraste escancara a seletividade do sistema e levanta questionamentos sobre os limites da liberdade de expressão no país.