As autoridades chinesas prenderam o jornalista Liu Hu após a publicação de uma reportagem que denunciava corrupção envolvendo um secretário do Partido Comunista Chinês. Segundo relatos, a prisão ocorreu dois dias após a divulgação do material, que foi posteriormente removido da internet. Liu Hu foi acusado de “fazer acusações falsas”, termo frequentemente utilizado pelo regime para enquadrar denúncias contra integrantes do partido.
Outro jornalista, Wu Yingjiao, também foi detido no mesmo episódio. Liu Hu é repórter veterano e conhecido por investigações envolvendo corrupção em altos escalões do poder. Em 2013, ele já havia sido preso e permaneceu detido por quase um ano. Após retomar o trabalho investigativo, voltou a ser alvo das autoridades.
A organização Repórteres Sem Fronteiras afirma que o controle estatal sobre a informação na China atingiu níveis próximos ao totalitarismo, com censura sistemática, vigilância sobre jornalistas e punições severas a críticas ao regime. O país ocupa posições baixas nos rankings internacionais de liberdade de imprensa.
O caso reacende o debate sobre modelos políticos que relativizam a liberdade de expressão e o papel do jornalismo investigativo. Especialistas alertam que a criminalização da crítica e o uso do aparato estatal para silenciar vozes independentes são características recorrentes de regimes autoritários.