Laudo da PF reconhece risco de morte súbita, mas nega prisão domiciliar a Bolsonaro

Documento oficial lista doenças graves, admite necessidade de ajustes médicos e ainda assim conclui pela manutenção do presidente na cadeia

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Laudo da PF reconhece risco de morte súbita, mas nega prisão domiciliar a Bolsonaro
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O laudo pericial elaborado pela Polícia Federal sobre a saúde do presidente Jair Bolsonaro, detido no Complexo da Papudinha, expõe uma contradição difícil de ignorar. O próprio documento reconhece um quadro clínico delicado, com hipertensão arterial, apneia do sono classificada como grave, obesidade clínica, aterosclerose e aderências abdominais decorrentes da facada sofrida em 2018. Entre os riscos descritos estão AVC, pneumonia, insuficiência renal, traumatismo craniano por queda e, de forma explícita, morte súbita.

O relatório também afirma ser “necessário otimizar os tratamentos” diante do risco de complicações cardiovasculares. A expressão, por si só, indica que o acompanhamento atual não é suficiente para garantir segurança clínica. Ainda assim, a conclusão do laudo sustenta que Bolsonaro possui “condições plenas de estadia” no sistema prisional e que não há necessidade de prisão domiciliar, ignorando os próprios alertas técnicos apresentados ao longo do texto.

A incoerência salta aos olhos. Em qualquer outro caso, um preso comum com múltiplas doenças crônicas, histórico cirúrgico complexo e risco documentado de morte súbita dificilmente permaneceria em uma cela. O laudo reconhece o perigo, mas nega a solução. Não se trata de interpretação política, mas de lógica elementar: quando o diagnóstico aponta risco extremo, a omissão passa a ser responsabilidade.