Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito” ou “o príncipe”, surge como peça central nas engrenagens do tráfico operadas a partir do próprio Estado venezuelano. O documento de 25 páginas detalha como, em 2013, o pai criou para o filho um cargo sob medida: chefe do Corpo de Inspetores Especiais da Presidência, abrindo caminho para o uso da máquina pública no crime.
Segundo o indiciamento, “o príncipe” viajava em jatos Falcon 900 da PDVSA transportando “grandes pacotes envoltos em fita”, identificados pelo comandante da aeronave como drogas. Em 2017, teria organizado o envio de centenas de quilos de cocaína para Miami e discutido despachar “cocaína de baixa qualidade para Nova York porque não podia ser vendida em Miami”.
O ponto mais grave aparece em 2020: reuniões em Medellín com representantes das Farc para negociar rotas de cocaína e armas até 2026. Após a prisão dos pais, Nicolasito reagiu com um áudio desafiador: “Não vão conseguir, juro pela minha vida.” O indiciamento mostra que o regime não apenas tolerava o crime — ele o comandava.