PF investiga Caixa por contratar empresa de consignados com sócios réus por fraude

Firma criada com capital de R$ 1 mil fechou contrato milionário em apenas um mês e recebeu R$ 1,8 milhão em comissões

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PF investiga Caixa por contratar empresa de consignados com sócios réus por fraude
© Arquivo/Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Polícia Federal investiga a Caixa Econômica Federal por contratar a CBA Correspondente Bancário, empresa de consignados cujos sócios respondem a processos por fraude, inclusive pela venda de empréstimos a clientes já falecidos.

Os números chamam atenção. A CBA foi criada em novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 1 mil. Um mês depois, em dezembro, já havia firmado contrato com a Caixa. Em apenas três meses de operação, recebeu R$ 1,8 milhão em comissões.

Os sócios Victor Guidotti Andrio e Fernando Perrelli Júnior são réus em ações por fraudes em crédito consignado, envolvendo empréstimos feitos sem o consentimento dos clientes. Além disso, a CBA mantém ligação com a BYX Capital, do grupo Pine Holding, cujo controlador é investigado na Operação Floresta Devastada por fraudes financeiras e lavagem de dinheiro, com bloqueio de bens que chega a R$ 469 milhões.

O contrato chegou a ser suspenso por irregularidades, mas foi posteriormente restabelecido pela própria gerência da Caixa. O banco afirma ter seguido “rituais de governança”, mas não explica como contratou uma empresa sem experiência, com capital irrisório e comandada por réus por fraude. A Caixa é um banco público. O dinheiro é do povo. E a fiscalização segue sem resposta.