Preso do 8 de janeiro com doença grave corre risco de morte sob custódia do Estado

Laudo médico aponta possibilidade de óbito, mas STF aceitou parecer do IML feito sem exame clínico, segundo a defesa

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Preso do 8 de janeiro com doença grave corre risco de morte sob custódia do Estado
© José Cruz/Agência Brasil

Clayton Nunes, barbeiro condenado a 16 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro, enfrenta um quadro de psoríase grave, doença imunológica diagnosticada ainda na infância. A condição é acompanhada há anos por médica do Hospital Universitário de Brasília, que encaminhou laudo ao STF alertando para risco real de morte.

Apesar disso, o Supremo e a Procuradoria-Geral da República optaram por considerar um laudo do IML que, segundo a defesa, foi elaborado em cerca de cinco minutos, sem exame físico do paciente e sem solicitação de prontuário médico. A decisão gerou forte questionamento sobre o critério adotado.

As condições de custódia agravam o quadro clínico. Clayton divide cela com outros 18 presos, dorme no chão do banheiro, convive com detentos portadores de doenças infectocontagiosas e está há cerca de um mês sem acesso à medicação necessária. O tratamento indicado reduz drasticamente a imunidade, exigindo ambiente controlado e higienizado — realidade oposta à vivida no cárcere.

A combinação de pena elevada, doença grave e condições precárias de prisão levanta um alerta incontornável. Há um laudo médico que aponta risco de morte. Ainda assim, prevaleceu um parecer sumário. O caso expõe uma contradição dura: a pena já foi aplicada, mas a preservação da vida segue em segundo plano.