A nova composição da Câmara dos Deputados, que tomará posse em 1.º de fevereiro de 2027, é classificada como majoritariamente de direita segundo um levantamento cuja metodologia ideológica deve ser explicitada pela fonte responsável. Dos 513 deputados, 283 foram incluídos no campo da direita, 123 no centro e 107 na esquerda.

Pelos números, a direita representa 55,2% da Câmara, enquanto o centro corresponde a 24,0% e a esquerda, a 20,9%. Centro e esquerda somam 230 deputados, 53 cadeiras a menos que o grupo classificado como de direita.
Com 283 parlamentares, a direita supera a maioria absoluta da Câmara, que corresponde a 257 deputados mais da metade dos 513 integrantes da Casa. Essa maioria numérica, no entanto, não significa que o grupo aprovará sozinho todas as matérias, pois os deputados não necessariamente votam em bloco e os quóruns variam de acordo com o tipo de proposição.
Além disso, é importante distinguir maioria absoluta de maioria simples. A maioria absoluta exige 257 votos favoráveis, independentemente do número de presentes. Já a maioria simples, em regra, corresponde à maioria dos votos entre os parlamentares presentes, desde que esteja presente a maioria absoluta dos membros da Câmara.
A nova correlação de forças pode ampliar o peso do grupo classificado como direita nas principais votações. Na prática, porém, a aprovação de matérias dependerá da composição específica de cada votação, da presença dos parlamentares e da posição das demais bancadas.
Nas propostas de emenda à Constituição (PECs), são necessários 308 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos deputados, em dois turnos de votação. Portanto, os 283 deputados classificados como de direita não seriam suficientes, sozinhos, para aprovar uma PEC: seriam necessários pelo menos mais 25 votos.
Já para autorizar a instauração de processo contra o presidente da República por crime de responsabilidade etapa que pode anteceder um processo de impeachment são necessários 342 votos favoráveis, correspondentes a dois terços da Câmara. Nesse caso, o grupo classificado como direita precisaria de, no mínimo, mais 59 votos.
A classificação dos parlamentares em direita, centro e esquerda não é uma categorização oficial do Tribunal Superior Eleitoral nem da Câmara dos Deputados. Trata-se de uma interpretação política baseada nos critérios adotados pelo levantamento. Por isso, a análise deve informar quais partidos ou parlamentares foram incluídos em cada grupo e como foram tratados os partidos de centro-direita e centro-esquerda.
Assim, os números indicam uma maioria numérica da direita segundo esse levantamento, mas não permitem concluir, por si só, que haverá uma maioria parlamentar coesa em todas as votações.