Durante reunião com ministros, governadores e aliados para avaliar o resultado do primeiro turno e definir os rumos da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu que o Estado não tem conseguido acompanhar o avanço do crime organizado. Segundo ele, “a bandidagem cresceu” e as organizações criminosas se tornaram mais sofisticadas, chegando a funcionar como uma “indústria multinacional”.
A declaração chama atenção porque a segurança pública se consolidou como um dos temas mais sensíveis da campanha eleitoral. Na reunião, Lula afirmou que o modelo atual, no qual os estados concentram a responsabilidade pela segurança, não é suficiente diante da expansão das organizações criminosas. O presidente voltou a defender a PEC da Segurança Pública, que amplia a participação da União no combate ao crime organizado.
A fala também ocorre após o desempenho do governo e da campanha petista no primeiro turno, quando segurança pública esteve entre os assuntos explorados pela oposição. Lula terminou a primeira etapa da eleição com 45,16% dos votos, atrás de Flávio Bolsonaro, que obteve 47,03%.
O reconhecimento feito pelo presidente coloca a segurança pública no centro da disputa pelo segundo turno e abre espaço para cobranças sobre as medidas adotadas pelo governo diante do avanço das facções e da criminalidade no país.