O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende destinar mais de R$ 2 bilhões para a aquisição de dois supercomputadores dentro do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). A proposta é ampliar a capacidade do Estado para desenvolver e treinar modelos de linguagem semelhantes aos utilizados pelo ChatGPT e Claude.
O governo afirma que pretende criar uma inteligência artificial brasileira, treinada com dados nacionais e adaptada às características culturais e linguísticas do país. O plano também cita conceitos como “soberania em IA”, “fortalecimento da democracia” e “integridade da informação”.
É justamente nesse ponto que surgem os principais questionamentos. Quem decidirá quais dados serão utilizados e quais critérios determinarão as respostas dessas IAs? Conceitos como “valores brasileiros” e “integridade da informação” podem envolver escolhas políticas e ideológicas, especialmente quando a estrutura é financiada e administrada pelo próprio Estado.
Até o momento, não há evidência pública de que Lula tenha determinado a criação de uma IA favorável ao seu governo. O problema, porém, está no poder que uma estrutura estatal dessa dimensão poderá concentrar sobre dados, tecnologia e informação.
Enquanto o governo fala em soberania digital, o investimento de mais de R$ 2 bilhões abre uma discussão inevitável sobre prioridades, transparência e limites para a atuação do Estado na inteligência artificial.
Antes de colocar bilhões de reais no projeto, o governo deveria explicar claramente quem controlará os dados, quem definirá os critérios de treinamento e quais mecanismos impedirão que uma IA financiada pelo contribuinte seja transformada em instrumento de influência política.