Os quatro anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva chegam ao fim deixando uma série de indicadores que colocam em xeque os resultados da administração federal nas áreas social, fiscal e econômica. Entre 2023 e 2026, aumentaram os registros de pessoas em situação de rua, as contas públicas passaram de um superávit primário para déficit, a dívida bruta avançou e empresas enfrentaram um ambiente de crédito caro e maior dificuldade financeira.
No campo social, os dados do Cadastro Único mostram que o número de pessoas registradas em situação de rua passou de 198,7 mil, em dezembro de 2022, para 392,4 mil, em junho de 2026, uma alta de aproximadamente 97,4%. O número não representa necessariamente toda a população em situação de rua, já que depende dos registros realizados pelo poder público, mas a expansão evidencia o tamanho da vulnerabilidade social enfrentada pelo país. Moradia, alimentação, emprego, renda e acesso a serviços básicos continuam entre os principais desafios.
Na área fiscal, a deterioração também aparece nos números. Em 2022, último ano antes do início do atual mandato, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 126 bilhões. Já nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, o Banco Central registrou déficit primário de R$ 82,1 bilhões, equivalente a 0,62% do PIB. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, ou R$ 11,1 trilhões. O resultado aumenta a pressão sobre o orçamento e amplia o peso dos juros sobre as contas públicas.
A política de arrecadação também pesou sobre famílias e empresas. Desde 2023, o governo adotou medidas envolvendo combustíveis, investimentos, Imposto sobre Operações Financeiras e benefícios fiscais. Um levantamento do Ranking dos Políticos contabiliza 37 medidas de aumento de impostos, enquanto outras análises chegam a 25 ou 27, dependendo dos critérios utilizados. O dado oficial do Tesouro Nacional mostra que a carga tributária bruta alcançou 32,32% do PIB em 2024, acima do percentual registrado em 2023.
O impacto sobre o setor empresarial aparece ainda nos pedidos de recuperação judicial. Em 2022, foram registrados 833 pedidos no país, segundo a Serasa Experian. Em 2025, foram 977 processos de recuperação judicial e 2.466 CNPJs envolvidos, número recorde para a série de empresas alcançadas pelos processos. Os indicadores não são diretamente equivalentes, porque um único processo pode envolver várias empresas do mesmo grupo econômico. Ainda assim, o cenário evidencia a pressão enfrentada pelo setor produtivo em meio a juros elevados, crédito mais seletivo e dificuldades de demanda.
O conjunto dos indicadores apresenta um governo que chega ao fim do mandato diante de problemas relevantes: mais pessoas registradas em situação de rua, deterioração do resultado primário, dívida pública de R$ 11,1 trilhões, carga tributária elevada e milhares de CNPJs envolvidos em processos de recuperação judicial. Embora cada indicador tenha causas próprias e não possa ser atribuído exclusivamente a uma única decisão do governo federal, os números oferecem uma fotografia objetiva dos desafios acumulados durante o período Lula.
Ao final de quatro anos, portanto, o debate sobre o legado econômico e social do governo passa inevitavelmente pelos resultados concretos. Os números mostram que o Brasil chega a 2026 com forte pressão sobre as contas públicas, elevado endividamento, pesada carga tributária e persistência de vulnerabilidades sociais e empresariais um cenário que deverá ser enfrentado pela próxima administração.
Fontes relacionadas
[1] MDS — Dados e Ferramentas do Cadastro Único
[2] Agência Brasil — Setor público registra superávit primário de R$ 126 bilhões em 2022
[3] Banco Central — Estatísticas fiscais
[4] Ranking dos Políticos — Aumento de impostos: o que o governo criou e elevou desde 2023
[5] Tesouro Nacional — Carga tributária bruta do governo geral em 2024
[6] Serasa Experian — Pedidos de recuperação judicial em 2022
[7] Serasa Experian — Recuperações judiciais em 2025 e mudança de metodologia