A Sabesp passou a utilizar, em parceria com a empresa israelense Asterra, uma tecnologia baseada em imagens de radar de satélite e inteligência artificial para identificar vazamentos de água tratada no subsolo. O sistema consegue analisar áreas de até três metros de profundidade e apontar possíveis pontos de perda mesmo quando não há sinais visíveis na superfície.
A tecnologia identifica no solo características associadas à presença de água tratada e direciona as equipes para os locais com maior probabilidade de vazamento. Depois da indicação, os técnicos realizam a confirmação utilizando equipamentos como geofones, reduzindo a necessidade de inspeções ao longo de grandes trechos da rede.
Em um teste realizado na região central de São Paulo, o método identificou cinco vezes mais vazamentos do que a técnica tradicional, segundo as informações divulgadas. A tecnologia será utilizada no monitoramento de aproximadamente 9 mil quilômetros de redes nos municípios de São Paulo, Guarulhos, Osasco e Carapicuíba.
A Sabesp estabeleceu como meta recuperar 6,7 bilhões de litros de água em um ano por meio da identificação e correção dos vazamentos. O volume equivale, segundo a companhia, ao consumo anual de uma cidade com cerca de 95 mil habitantes. O contrato com a Asterra tem valor de R$ 5,9 milhões e duração de dois anos.
As perdas de água tratada representam um dos principais desafios para o abastecimento. Na Grande São Paulo, parte da água captada, tratada e distribuída não chega aos consumidores, gerando também custos relacionados ao tratamento, bombeamento e distribuição.