Relatório de mais de 5 mil páginas contraria versões oficiais anteriores e propõe revisão da causa da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek

Comissão ligada ao governo conclui que JK foi assassinado e reabre debate histórico

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Comissão ligada ao governo conclui que JK foi assassinado e reabre debate histórico
Reprodução

Um relatório produzido pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de assassinato em 1976. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e repercutida pela Revista Oeste. O documento contraria investigações oficiais realizadas ao longo das últimas décadas, incluindo a conclusão da Comissão Nacional da Verdade, que em 2014 descartou homicídio doloso por ausência de provas materiais.

JK morreu em um acidente automobilístico na Via Dutra, em Resende (RJ), envolvendo um Chevrolet Opala, um ônibus e uma carreta. O novo parecer sustenta a existência de uma “ação externa” responsável pela saída do veículo da pista. No entanto, o relatório não realizou novas perícias técnicas, reunindo apenas investigações anteriores sob aplicação do princípio jurídico do “in dubio pro victima”.

A própria Comissão Nacional da Verdade já havia descartado a tese de disparo contra o motorista Geraldo Ribeiro, apontando que o fragmento metálico encontrado durante exumação era parte do revestimento do caixão. Ainda assim, a nova análise propõe revisão oficial da versão histórica consolidada há décadas.

Nos bastidores políticos, a reabertura do caso levanta questionamentos sobre o momento escolhido para retomar um tema historicamente encerrado, especialmente em meio a um ambiente político conturbado e disputas narrativas cada vez mais intensas no país.